domingo, 27 de maio de 2007

É noite. Não, é dia.

Nesses últimos dois anos fui invadida por uma necessidade quase inexplicável de mudança. E eu digo “quase” porque, de certa forma, acreditava estar passando por um período no qual a maioria dos jovens recém-formados em jornalimo e à procura de emprego estavam fadados a vivenciar. É verdade que eu poderia simplesmente ter feito uma tatuagem, mudado o guarda- roupa, a cor do cabelo e voltado a viver no piloto-automático. Mas acabei projetando essa sede de mudança numa futura vivência em uma nova cidade. A simples idéia de conhecer novas ruas e de me perder em bairros desconhecidos me alegrava a alma! “Vou pra São Paulo”, foi o que estabeleci como meta.

Pois bem, estou há um ano nesta cidade e ainda procuro a tal mudança que só agora suspeito que seja inalcançável do ponto de vista de "lugar".

Dentre as idéias que me vieram em mente, desde que vim para cá, apenas aquelas relativas a uma possível troca de endereço foram capazes de me levantar do sofá. Disposição para viajar não me falta e não me falta também vontade de estudar para conseguir um emprego mais rentável, afinal é esta a condição fundamental para que eu possa “conhecer o mundo durante as férias”, como recentemente planejado.

No entanto, relendo o blog velho, me vejo buscando algo que transcende um novo lugar, uma nova cultura, um novo rosto. “O que busco de verdade então?”, foi a pergunta que não quis calar nestes últimos meses. E é assim, fingindo ignorar toda minha inconstância de idéias, que me atrevo a responder: eu busco, em novas experiências, uma resposta para minha grandiosa existência. Existência. Existência. Existência. Descobri que minha “necessidade” é pura e simplesmente a dor de existir. A mesma dor que me deu um nó na garganta ao ler Hamlet, a mesma dor que me consome ao olhar para o céu e se sentir pequena, a mesma dor de ter sido lançada à vida sem um manual de instruções. Se Deus existe, pelo menos comigo, ele foi bem cruel.

E agora que a “vontade de mudar de lugar” se revelou “uma busca de resposta para a vida” estou lascada. Mas não se preocupem, eu vou sobreviver.